Thursday, March 08, 2007

POSTURA FILOSÓFICA





"Social Deprivation in the Laboratory: This male rhesus monkey [...] was raised in social isolation for the first eight months of life. Such early isolation often results in bizarre manifestations of self-directed aggression and a highly distorted concept of self. The photos show the monkey annoyed by the outstretched hand moving toward his face; he seems totally unaware that it is his own. His irritation mounts as the hand grows closer; in the final picture he grabs and bites his own hand."

(From: Mitchell, Gary: What Monkeys Can Tell Us About Human Violence. "The Futurist", April 1975, pp. 75-80. PHOTOS: JODY GOMBER AND WILLIAM K. REDICAN, UNIVERSITY OF CALIFORNIA, DAVIS

Friday, February 23, 2007

OPUS

Mussolini e Clara Petacci comprovando a teoria do bico de pássaro.

Coisas baratinadas pela cadência de outras não baratinadas. O filho esquecido no meio da prática da intersecção de dois campos opostos. Filho esquecido entre bruma e treva, contorcendo-se como o verme no bico do pássaro feio. Filho que não é matéria, ideia, é uma ideia. Que se cansa pouco no gesto da súplica violenta à filosofia, a ópera de três vinténs. Noite dentro, cordeiro branco vagueia.

As velhas praguejam o mundo como escaravelhos rolando excrementos, e as ideologias de múltiplos lados, e as politicas aonde bateram mãos no peito:

quando a plebe troca aquele sentimento de obediência por paus e pedras, o amor em todos os casos vira-se contra a incompreensão dos que antes eram pais, amantes, generais e chulos

um sol cor de mijo ilumina a caracteristica volúvel dos laços. É melhor apostar nas filigranas que sobem pelas têmporas como exércitos do que apostar na constância das relações. Mussolini é um exemplo disparatado para sublinhar a tragédia destas realidades. outro seria, ainda mais disparatado, o joaquim que bate na mulher que olhou para joão. A noção do bico de pássaro joga-se como a carta do conhecimento kantiano, aquilo que encontramos pelos sentidos empiricos, virá de construção mental de pardieiro. ao depender da dinâmica individual, paradoxo de multidão, singular objectividade, o bico do pássaro feio prende os vermes. daqui o filho espiritual abre o manual de lógica, supostamente para estudar, e encontra folhas rasgadas no vazio do infinito e bichos brancos contorcendo-se entre ângulos esdrúxulos.

Saturday, February 10, 2007

Diagnóstico em Rilhafoles

"Grande altura (1,70 m). Corpo e membros 'elancés'. Dedos muito longos, encurvados. Orelhas grandes, mal formadas, de lóbulo muito curto em ponta aderente. Crânio muito alto; depressão na glabela, convexidade frontal muito pronunciada. (…) Face muito longa. Campo visual normal (…) Cavidade bucal muito espaçosa. Dentes cariados, alguns mal implantados. Queixo recuado."

HOMENAGEM A ÂNGELO DE LIMA O LOUCO

Por entre a cidade espantalhos de ébano e marfim vasculham, com cómicos chapéus de palhaço rico enfiados até às orelhas. procuram bananas ou liras, sem saber a diferença. e é vê-los empanturrados, de boca cheia, acocorando-se para esconder prêmios.
no meio desta pompa enmerdada a cabeça impassível do aprisionado emerge, com filosofias de cavalo morto em valetas. as suas lágrimas de désdem enxugadas por manga de uniforme tosco, as suas lágrimas de metáfora.

A irmã sábia, a corça azul, enxuta as tuas lágrimas de metáfora; pois sabes que a vida se esculpe com dentadas profanas, mistérios, rábulas de loucos representando que o uniforme do hospital alça o brilho dos olhos de outraparte, o uniforme cinzento onde o bater de asas levanta o pó de mãos em poesia; alfabeto de tatuagens e guitarras roçadas

Na rua fria, na janela do manicómio, o espirito do infinito ultrapassa a multidão ululante

Só dedilhas a lua esplendorosa, quieto como a brincar com fósforos, roubando entre o cavaleiro do cemitério, glorificando diáfanos. amparando à forma difusa a redenção escrevinhada de obscuros herméticos e hieróglifos luxos.

Wednesday, January 31, 2007

ANTES DA MADRUGADA

dessa teoria neuro-psicológica onde recônditos configuram díspares e ocasionais momentos de ternura, o que é para pôr à prova? os sentimentos positivos ordenam-se por vontades inconscientes e ocasos burlescos. as éticas arrastam-se pelo vento de cavernas hiantes. o que se tenta curar nas gentes, o erro contínuo, e a incerteza de padrões, para dar algo de consistência redimida aos caractéres faltosos. para se arredondar a panóplia de coisas ao monte, a afirmação de uma hipotética honestidade de acções, como fazer?

que estatutos buscar no meio do chão apalhaçado de capoeira? será que um sentimento de compaixão é o fortuito lançar de dados numa vida de crime?

e que, vindos não da boa vontade, mas tão somente de obscuras pulsões os momentos sagrados de compaixão são o fugaz lapso das esfinges dos assassinos?

mera parcela insignificante, mas de epifania, que involuntariamente nos pode convencer que os anjos degustam porcaria à mistura com milho.

Wednesday, January 24, 2007

Crepúsculo. corça podre, uns idos de Março. espécie de prenúncio feito por quem de direito nenhum. onde em tribunal engonça com leis os aspectos. este processo de regras, maquinal e seco, esta exigência vulgar de mesquinhos, cu de cadela sujo. a endecha para connosco estimar a mediocridade, para connosco cruzar desertos. uma condição necessária de realejo para arquitectura de carreiro de formiga. Atravessamos o limiar d´ uns lintéis com a identidade plástica, travestindo o rigor do mistério, sapatorros mergulhando num concreto.

simples, docemente, passivel de compreensão. por essa terra fora pólen e morte germinam, no serviço abrupto, e embora riscados a vermelho, nos cumprimentamos nesse idioma possivel, inicios e fins. agitando subliminares ramos de floresta, levantando folhas, personificando balofos e pedantes vencedores da lotaria sem prêmio.

Sunday, January 14, 2007

Para ti uma vontade das antigas, uivo da saudade. Sem as maldosas e abstractas pulsões dos medos, permitam-me a inocência os macabros croupiers. Deixo, em penumbras antigas, os teus jocundos cabelos cair em cascata sobre mim, almas do invisivel. E a lembrança de me especar ao pé do telefone, ou na esquina da rua tal, só para o vislumbre do eco extemporâneo; só para surpreender essa dança com os espectros da minha fome, com aleluias a sair da boca dum louco. Da ingenuidade bebia, as pupilas o cálice de memórias, roçar de mortalhas. Ah Quanto o teu corpo fulminava espaço e estásimos, por sobre a deslumbrante quantidade de cadáveres, e os restos da percepção, em luz, tiravam folga.

Friday, January 12, 2007

(O AMOR)


puxam fumo nos cachimbos da morte, sentimentos; preparam refeições insonsas as receptoras e dadoras de sentimentos. eles puxando fumo e elas soçobrando no fogão aceso. um pornográfico pântano de qualidades, matadouro de ambições. os restos ficam no prato, junto com beatas, sucedem-se injúrias e copos virados.

para a dona de casa, o mundo é misturado por espantalhos perante o assentimento tácito do casamento. os rouxinóis do seu ventre cantam loucamente o inferno. Garrafas de vinho vazias quando ainda não estão prontos para esquecer. no simbolismo do casamento, ergue-se a prisão e o volume estático de fisionomias inchadas, no simbolismo do leito crispam-se fauces e arrependem-se dançarinos nus.

nas barras do tribunal, até ao paraíso dos loucos, os sórdidos casos protagonizam situações de riso.