Friday, June 30, 2006

DOR

Estás a chorar de novo?

Sem sair do lugar corrupto, pouco nos convencemos da tertúlia que devora. Parcialmente encobertos chamando atenções. Mais visões de fera na quietude disto. O pior não é a baba e o ranho, isso é um alívio ao alcance de poucos.

- És afortunado.

O pior é já ter passado pela barreira das casas arruinadas, ter aprendido lições de morte nas quais não há música

Nunca juramos saber da vitória e do gozo, apenas a incapacidade de chorar compõe o real, como a esquizofrénica soltura; momento sempre completo da vitoria do símbolo das tonturas: o peso de um sal inútil.

Esta alma mede o mundo como a minhoca que recusa a terra, procurando o falso como sossego de fantasmas, o que vive no forasteiro caminho como pegada de pão. Já não há dor nem papéis ranhosos. Já não há miúdos a andar de baloiço

a vontade de chorar foi substituida pelo caderno com as folhas rasgadas

Foi desdobrado o sim e o não, e retorna à partida, órfão procurando os pais. Estaremos sempre pobremente vestidos e mal preparados ao atender o chamado que nos esmaga

Para o qual já nem temos o consolo das lágrimas e do ranho.

Thursday, June 29, 2006

amontoado pseudo-poético

Imersos no talhar inquieto de motivos rebuscados, enigmas buscando o fervor das mãos

Como sublinhava uma criatura no meio da noite:

o amor resta como tentativa, materialização de trocos no fundo do chapéu.

Arruaças de amantes como se a vida – Pintura – dependesse das facécias

Mosquitos batendo asas muito depressa. textos divinos.

Partilha todos os momentos do mundo, em que uma pessoa

Disse Adeus

De faces crispadas

Em que outro anónimo alquebrar se prostrou como cobra na majestade do adamantino desejo

tentando deslindar a suavidade dumas formas entre biombos lamacentos

a corda da guitarra partiu. O macaco de fósforo sustenta epílogos sobre a talha

talha cortada. Rude. sinistra coreografia no túmulo do rouxinol

arruaças de assassinos, vasculham por excrementos na ténue racionalidade...

"Eloí, Eloí, lama sabactani?”

Os enforcados pelos pais retornarão com os perdões acesos pela poalha

decorar-se-á outra letra, outros abraços de paixões

outra pândega na solidão à espera debaixo da sacada

pela mulher riscada do mundo.

APLAUSOS PARA BERKELEY

“ O que se tem dito da existência absoluta de coisas impensáveis sem alguma relação com o seu ser-percebidas parece perfeitamente ininteligível. O seu esse é percipi; nem é possível terem existência fora dos espíritos ou coisas pensantes que os percebem. “

Berkeley

Enquanto se lê sobre o solipsismo advêm a sensação de intervalo sublime. É escusado ir pôr o lixo à porta antes da camioneta passar. As pessoas que vejo na rua, a empurrarem o pó com os pés, são construcções da mente. Quase como surtos de comunhão mágica na talha do espirito, está cada coisa cá. As suas acções são as minhas. O que interessa no desenho das entranhas despenhando-se no solo de pedras de mim.
Se um dicionário escapasse à necessidade destes singulares alardes, era obnubilado imediatamente. Fuzilado pela minha mão. Aqui perceber-se-ia uma música de abismo benévolo; a boca do jacaré prendendo gentilmente a cria, analogia onde mais de mil diabos se beijariam...
Assentar em tal vão mais do que gramas perdidas, muito mais (amendoeiras em flor). Os pássaros lá longe batem as asas na minha cara, no meu entendimento. Vinco as rosas e o conjunto delas nos dedos quietos da escuridão entre as orelhas.

O medo acabou?

Ainda enlouquecem as puras mães?

O lançamento de dados só significa os passeios interiores, agora digo que o acaso já não persiste. Existe sim o acaso de mim a ensacar desejos, vivências, amares, tristezas, entre fronteiras absurdas e plenas. Fico quieto, o mundo cresce como anémona da vontade, vil no sentido vil da vileza.
Becos opacos e ruas lavradas do espirito, estas sentem a prosa onde ainda me porto como a aspa que sempre fui. No exterior construindo tijolo a tijolo o estábulo para os cavalos favoritos.
Filhos da puta a rabiarem dentro da minha mente, versos suspensos na autoridade subjectiva. Faça o que fizer já sou o arquitecto, o demiurgo da treta. É certo, é certo que eu e qualquer fantasia dá jeito para argumentar com os muitos números vivos afinal, os outros exteriores pertencendo à irresponsabilidade de esclarecidos na república dos espíritos a chuchar o polegar.

Wednesday, June 28, 2006

A CIDADE

Só para achar que estou vivo desabafo sobre este exílio. Sem força já para criticar as selvas onde fracos são desmembrados. A MINHA FORÇA É O MEU PAVOR. Nisto a máquina de escrever pode ser cúmplice, continuamente, voz apagada como beata no cinzeiro, mas beata. Só para achar que estou vivo, VIVO-MORTO desabafo num alento sem porquê nem para quê, em meio a trapos de roupa usada no cemitério. A pantomina, alguma coisa, alguma coisa. A luz da janela teimando acesa no inferno dos desmembramentos.
A PANTOMINA É A ÚNICA FIGURA DE ESTILO. Na selva de trapos, onde persiste a janela, com alguém por trás anónimo: sem entender para sempre os significados. O candeeiro cansado, e a tentativa de operar algo sem ser o eterno subjectivo. Máscara engolida e regurgitada.
Não chegam os dedos das mãos para contar o que nos chateamos à toa. Auspícios de inferno. Querendo afirmar IMPORTÂNCIA/LUZ e não a persiana corrida ou pálpebras cerradas. Contra os dentes que caem passo o vislumbre da cidade branca, o fonema cego que liga corvos. Tugúrio de igrejas onde o padre bêbado tosse em cima do altar, livro que não se lê. Endurecemos a cada passo o figurino. ALMA E MOVIMENTO participam na dança de pó. O padre recita a litania e o ámem.
Lisboa, que te culpamos pelo que é demasiado humano. Vermes entrando pelas frinchas da porta. Prato riscado. Baba de serpente. Isso que os pobres e ricos comem entre duas fatias de pão duro às quatro. Conclusões e decisões. Quatro da manhã e asas de traça a tocar na lâmpada quente. A minha janela cada vez mais presa numa fruição da máquina de escrever, na voz antiquissima do nada. Gênese extática de parcelas podres entre as teclas da máquina. Os trapos envolvendo as peças da engrenagem no sangue, asas queimadas de traça, expressões circulares. Trapos de defunto roubados pelo coveiro. Espelhos ao alcance, feiura canibal. Embora a janela esteja fechada entra por aqui um uivo que parecia ser teu. Também uivo por causa deste gerúndio: O DESABAFO constata a CULPA.
Enfim tratar o Ser como moedas pretas, e escolhendo estas face à pior vergonha de estar calado. ÚLTIMASPALAVRAS, finito, ir buscar a faca à gaveta: tarde demais para desmentir (ainda antes).

Friday, June 23, 2006

CONVERGENTES

"Leibniz tem razão ao dizer que a mónada individual expressa um mundo segundo a relação das partes do seu corpo entre si. Um índividuo está assim sempre em um mundo como circulo de convergência e um mundo não pode ser formado nem pensado senão ao redor de índividuos que o ocupam e o preenchem."

Deleuze

Considere-se o corpo estático como índividuo, entenda-se como ponto de convergência tão válido como aquele ou aqueloutro. A comparação entre matérias de facto leva-nos a admitir esta categoria totalitária. A modos de exemplo, a costureira do quinto esquerdo, no seu agir automático, vem comprovar os resultados. Todas as suas fodas foram em vão. O senhor Manuel da cervejaria, efectiva igualmente o concluido patético. Pelo hábito de imobilidade, mesmo que se mexesse muito. Mesmo que agitasse freneticamente as páginas do jornal desportivo.
A diferença entre convergências é nula no que diz respeito à natureza da acção, ambas as formas de Ser e Não-Ser copiam os cadáveres numa física de estátuas cagadas por pombos. Sendo o movimento ilusão a que estas recorrem para se convencerem de simulacros de vida.
O meu corpo quer refutar esta tese do convergente ou da prática nula do mundo, é a mais pura pretensão; o correspondente móvel-imóvel tanto a nivel de classe ou trabalheira é constitutivo modelar. Os átomos, supostamente em constante rotação, são pormenores dentro da massa vadia; subalternidades não-implicadas no status do núcleo intencional.
Com efeito, o imperativo comum é falho em todos os aspectos; o sublime caos contraria-se pela micância mediocre da ordem e da desordem: nulidade estática. O senhor Manuel, entre dois arrotos e duas passas, faz que sim com a cabeça metafórica. No entanto está quieto, móbil de ilusão, como que dormindo sem hora para acordar.

Thursday, June 22, 2006

MÁSCARA DE FAZER CARAS

"Queria estar num paraíso límpido" parecia a momice de letras de cantiga, hiâncias de erro. Teimar com este sonho era como limpar a boca às mangas. É falta de educação adjectivar a evidência da realidade com termos áureos. O substantivo, o sujeito da proposição, é empaturrado com ruas de trampa e lágrimas de esqueleto. Segundo isto é totalmente impossivel e ridiculo aspirar a punhados de alguma coisa boa.
Um homem de bóina resmungava, irado, não era com esta preocupação. Tinha perdido às cartas. Estava embrenhado no imenso que realmente interessa da vida. Posição do entre, a meio de esquerdo e de direito sem decidir. E o pólo e o seu contrário eram mastigados por máscaras, há muito que deixara de haver cuidados racionais. Isto pode chegar.
Insinuar que isto podia ser paraíso limpo é semelhante a letras de herege para os mestiços da sombra. O impensado não se pode empregar como categoria humana, a linha nipónica é uma frase: "cada vez mais escuro na máquina de fazer caras". A máscara é lucrativa porque esconde a possibilidade, a substituí por forclusão fácil; aparências dão palmadinhas nas costas dos ignorantes. A figura, o objecto, a momice, são segmentos da fuga a que a razão dedicou pintelhos como norma. Logo achamos imprescindivel o embuste do mutante; e a verdade, ou mais ou menos isso, saberemos ignorar para recalcados lupanares. Também o sonho ficará sujeito a produções em massa, salada de nojo, mobilando as angústias com mais angústias ainda. A máscara de fazer caras é a máscara de fabricar noite.

Monday, June 19, 2006

"encostar a alma ao fogo como acto de coragem podia ser uma citação estóica, mas ao que consta venceram poucas batalhas e ainda menos guerras."
"entre as duas realidades do antes e do depois, o intenso sono das incógnitas acordadas."

Interregno

sem lugar para descansar, se não contarmos com a matéria bruta que dá trabalho pensar: tudo

destruição, criação, curva fanática

a corda engravata o pescoço do condenado, placidamente: existe um sofá que é uma fatia negra

já desistiu da lavandaria ou da biblioteca; deu poucos lucros o intuito de enganar a paragem da lágrima em pleno movimento

concluído para cavaquear com outra coisa atrás do espelho.

Sunday, June 18, 2006

FUTURO



O que queres dessa indómita sentença, de que o agoiro já te tocou?

Surdez consentida?

Os cadáveres brilham abominados

Mesmo quietos deixam ajeitar essas cadências na fome

engordam obscuramente na obscenidade desejante

na perda nunca saciada

útero arquetípico pronunciando as covas do leito

com a paz agitada na tépida recordação de dias de nunca mais

Como paz...

Primavera de fantoches, o dogma da próxima morte

Não precisamos esperar por agudos testemunhos

Se mais do que imagens já prefiguram uma velhice a bater com a bengala

quantos passos de inconstância ainda errarão para construir o futuro?

Divagação sobre o tema da chuva

Alguma coisa resvalava na janela. Gotas. Uma gorda lutava com um guarda-chuva dos baratos. Os cães corriam abrigando-se debaixo de recantos. Certo parêntesis de sentido edita obliteração sobre ruas emporcalhadas e cabelos de caspa. Palimpsesto austero sobre restos rolados pelo pânico. Mas os objectos estão molhados numa sintonia quente, os ramos entrechocam, suaves e furiosos num abismo.
Muita gente está achando que o espirito, comovido pelos verões, nem precisa de se chatear com a gramática profunda. A roupa estendida fica molhada e tomar conta de miúdos é inconveniente. Fica-se no subterfúgio, coçando as partes e tartamudeando anedotas sem graça. A filosofia da chuva é chata como a vendedora de bíblias a mandar perdigotos. É pior do que ser macaco ou levar com uma paulada. A natureza é um ninho de vespas, separada do género conquistador e amoral. Nunca mais o que é agreste pode interromper a telenovela, queremos inspeccionar qual foi a prima que cometeu adultério.

Thursday, June 15, 2006

O MEU NOME

Isto de ter nome é tempestade de areia no deserto, tanto faz como se não fosse. Nas moitas de espinhos, a minha presença fica alumiada como os anónimos do mundo. O nome é pisado por vagabundos a fugir do trabalho, os muitos com que me posso comparar. Ardemos com o fogo indízivel dos circulos malditos, irmãos com as auras presas em poemas de destruição. E assim no auge do jogo de feras, o sangue traz um brilho de dentes de fantasma. O suor escorre-me pela cara como a mortalha de solidão, agarrando a identidade da minha imagem, paro e estremeço, um argumento ontológico dobra a esquina com facas de talho.
Aquilo que me chamavam antes é um sinónimo de desespero, simples definição. Foi nos teus olhos que me deparei, tu que sempre sofres, foi neles que me deparei com a natureza das gotas de sangue e os reflexos de abismo nos meus. Monções universais que os corpos branqueavam, e o que neles havia de pensamento, fuga para hospícios incendiados.
Igualmente atolados nos caminhos únicos descobrimos enfim o nome de animais caçados e no resto a redundância. Debaixo de tempestades de areia, o deserto estava lá, debaixo de papéis de embrulho, debaixo da carne do rosto. Entranhas devoradas, vocabulários escarrados, uma vida de lesma na boca da tirania. O meu nome é igual às maldições, anónimos do mundo, irmãos de auras presas. E dentro de mim, a semelhança era o sombrio espaço em que pouco a pouco se coincidia esse terror com o dos outros.

CORPO DE DEUS


parte infinitesimal sem palavras

O poema


O poema é como animal e linha de energia rasgada onde queimamos a língua. Força obscura da filosofia selvagem. Quem tiver ouvidos prestar-se-á a uma indómita viagem pela terra dos mortos que vivem. Para os quantos que se debatem no chiqueiro da existência é merecida a homenagem dos seus lamentos, para o mundo é necessária a brutalidade fidedigna.

O maior cumprimento é darmos aos pobres-diabos que somos a expressão da linguagem e dos movimentos numa noite sem fósforos. É a minima atenção com que podemos presentear essa coisa que é a alma aos solavancos. Cantamos enquanto podemos, simulacros de amar não-sei-quê num intervalo. Penas a roçarem o tambor da melodia de grilos demoníacos, barulho de sacos de plástico sem compras. Qualquer dia vai acabar esta complicação toda e só poderemos contar com o silêncio.

Wednesday, June 14, 2006

Plasma

plasmação

Homero vazando os olhos com um garfo para a verdade ser enfim mais bela

fluxos de plasma passando,
como rios furiosos onde não sabemos nadar, como serpentes no bote

quem saberá?

golfadas de qualquer coisa parecida como água, o tempo...

os afogados não podem pedir satisfacções a nada que se pareça com um rosto ou uma ideia

Adeus

Para as varridas e assustadas criaturas que cambaleiam, minha mão absurda pelo aceno, pois podia ser amputado. Mão para retratos que adicionam os mitos dos lugares e das caras num fundo janado da diferença. Esta Harpa de dedos, para o esquecimento não ficar na talha de crueldades sem incómodo. Por desdenhar do remanso poeirento tenho dez dedos, sei contudo que a batalha é inglória...

Fintando a solidão e anunciando as raízes e os rouxinóis na força de nos lembrar com ternura o que já partiu, ou é, ou apenas está ali em figura de parvo. Engrossar a lista das baboseiras com a intenção da mão absurda. Haverá pior e muito pior, povos inteiros acossados sem um gesto, sem beatas para fumar ou restos de vinho em copos de outrém.

Mão absurda que te abanas num adeus babado. Sossega teu impeto. Amanhã repete-se a mesma história, sobram sempre motivos para acenar.

Singularidades


Agora, comendo bolachas e matutando para grande conclusão. Presunçoso ao ser comparado com a brutal formiga ou o vento. A natureza desarma o que estou engonhando entre duas bolachas. O que de mais valioso podia planear era a asneira sem pudor, roçada por cianetos açucarados. Sem amor, o que se cumpre são as migalhas, e a natureza é um acto de amor que se enquadra fora das mentiras que vão rolando para o colo.







Monday, June 12, 2006

JANELA

Neste dia auspicioso brigam por esclarecimentos amarfanhados e cachimbos de Sartre a três pancadas. Escondem-se atrás de arbustos para acções dúbias para depois se limparem contra muros baixos. Delineando a fantástica parábola da grandeza e da miséria humana. O real psicótico sobre o qual tratou algum psiquiatra de renome, igualmente louco.
Que prefiram aqueles, a quem dói o orgulho, dirigir o olhar para cima, para puros céus onde a terra é engolida por lepra, vastas dinâmicas que não deixam escolha. Estrelas, firmamentos; rabiosas vigências que provam a inutilidade dos mins e dos eus. Apenas ver o céu escurecer ou clarear é suficiente para tirar muitas dúvidas acerca de quem se pôe em bicos dos pés. À falta de melhor argumento, bastaria fitar estas coisas por ninharias de tempo para nos envergonharem completamente as pragas, os amores sujos, as saídas e as entradas, e digo mais: até as partes inofensivas que confundimos com alentos de paz ou de fé.






Tuesday, June 06, 2006

LA TRISTESSE DURERA TOUJOURS


Sem significar nada

o fel derramado, o grande gesto que tive para com o pobre de casaco roto

o mundo é desbaratado por hebefrênicos que não se cansam, vamos escrevendo para eles com o mesmo crime e desfaçatez

tropelias de dançarino, dimensão de ausências

vazios, como se estivessem a invejar a mulher do vizinho que por sinal é uma vadia

tristes, pertencendo à realidade como passo manco na álea inclinada e cuspida

Mortos, indubitavelmente e aos milhares

Sem sabermos uns dos outros,

Peixes abissais relinchando pelas paredes ou roubando o bolo da boca do irmão

em meio a altercações,os meta-textos;

e esfregam-se nos caixões, tal o moribundo e o vivo pedincham:

continuemos pequenos, sendo mais fácil de aguentar.

OLHOS FECHADOS


Entre os ganhos e as perdas, o comércio dos mortais, o sapato na calçada castigada. Animais copulando com as ideias preparadas. Aquilo que mais assombra está entre ganho e perdido. É sem dúvida algo de pessoal como soma rabiscada por lápis. dias que foram e serão iguais a estátuas loucas tentando mexer os braços. O conceito pelo qual se vai mais além é o negativo do rosto, a decadência do principio numa singular torção para universal. Descobrimos que a inocência voltaria no último dia para nos fazer lamentar copiosamente ou não. Apostaria que nem um segundo de remorso encomendariam para isto, para o que sóis, nuvem de gafanhotos. Vamos mais além, sim, no negativo, nas costas marcadas por cintos. Nos compridos uivos em que o total do que se aperta na angústia será compensado num inferno interior em que jamais nos abraçaremos. Foi esse dia também em que descobrimos que nada voltaria a ser inocente por causa do conhecimento próprio.


Thursday, June 01, 2006

A DANÇA MACABRA


quereis mostrar amigavelmente, ou em jeito de aviso, o que as órbitas cavadas já viram?
mais do que a expressão do medo dos ossos, um lamento predomina como choro de bébé
o facto da coragem não ter sido suficiente, para admitir, ao menos uma vez, que amávamos alguém enquanto possivel. Ou o paralelo dessa discussão púbere, o facto de que amámos alguém que era justamente um óprobio, mas que nem por isso nos rendemos. o tolo não se pode obrigar ao ódio por descriminação tão injusta. pode simplesmente girar os polegares, pode distorcer o seu ricto inferior numa curva de sorriso, apanágio dos poucos bons e absurdamente felizes. e um ricto de lábios, para baixo, se curvarão num ricto de lábios para cima, por quem trabalha o avesso amarelo.


NOITE


Noite, os que nem sabiam foram recambiados para aí. Sobra o poema pouco original , as cinco letras e a metáfora abusada das trevas. As roupas que um dia serão deitadas fora por estarem desfeitas, agora pinceladas de abismo nos que as guardaram por sobre a carne. Pelo corpo inteirinho o toque de penedos cegos e de vinho escorrido p´lo escopro bruto. Sonhos sombreando corais por cima da fronte e longe do Letes.

Crisálidas mirradas ou esperando nascimentos de ruína no peito para a noite que o esquecimento não roubou nas trevas. E o poema vulgariza-se como o ditirambo entoado por fora da saudade e por fora do Ser. uma questão descritiva de ajuizar um satanás que arredonda angústia em bola de papel de maus escritos.