Tuesday, August 15, 2006

Prédios destruidos pela acção da natureza e humor. Comoção estranha como um postal mandado por ausentes. Isto é o momento das cinzas formando um poema na boca das angústias silvestres. Pois há quase quinze dias que as musas não assopram ao meu ouvido e agora a violência é esplêndida neste abtrupto requiem. Nestes vãos esquecidos e abandonados, crias desdenhadas de cachorro, as escadas para nenhures aprenderam a ética. Desabituadas do toque da carne só tangem harpas de poesia de espectros. A poesia, essa, a verdadeira e alva. Fora da cabeça dos homens e das suas motivações obscuras, outra linguagem rodopia com folhas e lixo. Os réus que juram de mãos juntas, nas vielas populosas, tampouco alegam com estas musas, mas o rumo alterno e solitário não se ampara somente nestes enrabados, é um cliché:

"a beleza sobe nas escadas para nenhum lado no coração dos vivos."