Wednesday, November 22, 2006


"escrever é esburacar o peito para a alma sair"

Monday, November 20, 2006

O PÉNIS TEVE UM FRÉMITO


O meu pénis teve um frémito selvagem enquanto Atahualpa foi estrangulado, e a lua ameríndía, lentamente, foi mergulhando em sangue. opino, com razão ou sem ela, que isto deve ser comum nos homens. a volúpia do sangue, a alma, onde as melhores qualidades do género se amassam como pão em escadas cegas.

Alma. Alma.

Entre grosseiros soldados, queimas públicas de centenas de livros, volúpia. adiantam-se os condenados com os nomes emaranhados no cotão dos bolsos, prazenteiros.

Que chacais rasgam o ventre das noites sem silêncio nem calma pra produzir esse efeito?

Se pudessem ombrear rouxinóis, certos enganos floreados, a tradição se colheria noutros cestos. e a vergonha que nos falta , essa, seria uma critica a quem escolheu ser expulso de paraisos.

Wednesday, November 01, 2006

nos campos negros da solidão vi para além da angústia,

a caveira rindo-se com dentes brancos, e os corvos escolhendo as sementes das novas flores

no corte das madrugadas que foram atrasadas por pedras no caminho

a mundividência pariu um espasmo e pegou na mão dos moços e moças casadoiras:

animais reincidentes rebolaram no circulo, e eram eles as asas as garras e os bicos dos corvos

e as melhores flores eram todo o pensamento que tive, quase permitindo-me a certa alegria:

segundo um antigo provérbio egipcio, se sonhares com corvos (ou qualquer outra coisa) os teus filhos, quaisquer filhos, serão loucos.

RELIGIOSO

A serena beleza de tudo em tudo, a faca do morto, o salto do gato. É falso que estas recordações não nos tocam num zênite de obscuro palíndromo. o contemplador medita na voracidade que começa por comer a sua cabeça, logo que estas imagens se concebam ele morre, ele salta para a boca do inferno deixando o carro parado mas de porta aberta e motor funcionando. Ele distrai-se com a súbita lembrança do dia em que ganhou o primeiro brinquedo, que era de madeira talhada. Esse brinquedo agora calcado pela puta que limpa as coxas entre dois clientes.
O tempo não é o amor, não é a lembrança, é o possivel do impossivel e vice-versa, e os seus nós são complicados como tentar acertar um relógio simples. O que parece iluminar esse tipo perdido, esse escroque piolhento, esse inocente que só procurava respostas e no momento propicio e noutros momentos também, desabou como gente grande a chorar. claustro de si mesmo, fluxo continuo, uma barata a foder um rato; e ele exclama: quero mentir acerca do tempo e voltar a acreditar em Deus. O que porventura irá banalizar a esplendorosa dor da aventura, ser engolido pelo universo, a vagina fecunda.