ANTES DA MADRUGADA
dessa teoria neuro-psicológica onde recônditos configuram díspares e ocasionais momentos de ternura, o que é para pôr à prova? os sentimentos positivos ordenam-se por vontades inconscientes e ocasos burlescos. as éticas arrastam-se pelo vento de cavernas hiantes. o que se tenta curar nas gentes, o erro contínuo, e a incerteza de padrões, para dar algo de consistência redimida aos caractéres faltosos. para se arredondar a panóplia de coisas ao monte, a afirmação de uma hipotética honestidade de acções, como fazer?
que estatutos buscar no meio do chão apalhaçado de capoeira? será que um sentimento de compaixão é o fortuito lançar de dados numa vida de crime?
e que, vindos não da boa vontade, mas tão somente de obscuras pulsões os momentos sagrados de compaixão são o fugaz lapso das esfinges dos assassinos?
mera parcela insignificante, mas de epifania, que involuntariamente nos pode convencer que os anjos relevam disparidades, sublinham para mundo plástico as obras de artífices dementes.


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