Wednesday, January 31, 2007

ANTES DA MADRUGADA

dessa teoria neuro-psicológica onde recônditos configuram díspares e ocasionais momentos de ternura, o que é para pôr à prova? os sentimentos positivos ordenam-se por vontades inconscientes e ocasos burlescos. as éticas arrastam-se pelo vento de cavernas hiantes. o que se tenta curar nas gentes, o erro contínuo, e a incerteza de padrões, para dar algo de consistência redimida aos caractéres faltosos. para se arredondar a panóplia de coisas ao monte, a afirmação de uma hipotética honestidade de acções, como fazer?

que estatutos buscar no meio do chão apalhaçado de capoeira? será que um sentimento de compaixão é o fortuito lançar de dados numa vida de crime?

e que, vindos não da boa vontade, mas tão somente de obscuras pulsões os momentos sagrados de compaixão são o fugaz lapso das esfinges dos assassinos?

mera parcela insignificante, mas de epifania, que involuntariamente nos pode convencer que os anjos relevam disparidades, sublinham para mundo plástico as obras de artífices dementes.

Wednesday, January 24, 2007

Crepúsculo. corça podre, uns idos de Março. espécie de prenúncio feito por quem de direito nenhum. onde em tribunal engonça com leis os aspectos. este processo de regras, maquinal e seco, esta exigência vulgar de mesquinhos, cu de cadela sujo. a endecha para connosco estimar a mediocridade, para connosco cruzar desertos. uma condição necessária de realejo para arquitectura de carreiro de formiga. Atravessamos o limiar d´ uns lintéis com a identidade plástica, travestindo o rigor do mistério, sapatorros mergulhando num concreto.

simples, docemente, passivel de compreensão. por essa terra fora pólen e morte germinam, no serviço abrupto, e embora riscados a vermelho, nos cumprimentamos nesse idioma possivel, inicios e fins. agitando subliminares ramos de floresta, levantando folhas, personificando balofos e pedantes vencedores da lotaria sem prêmio.

Sunday, January 14, 2007

Para ti uma vontade das antigas, uivo da saudade. Sem as maldosas e abstractas pulsões dos medos, permitam-me a inocência os macabros croupiers. Deixo, em penumbras antigas, os teus jocundos cabelos cair em cascata sobre mim, almas do invisivel. E a lembrança de me especar ao pé do telefone, ou na esquina da rua tal, só para o vislumbre do eco extemporâneo; só para surpreender essa dança de vagina com os espectros da minha fome, com aleluias a sair da boca dum louco. Da ingenuidade bebia, as pupilas o cálice de memórias, roçar de mortalhas. Ah Quanto se fulminavam espaço e estásimos, por sobre a deslumbrante quantidade de cadáveres, e os restos da percepção, em luz, tiravam folga.

Friday, January 12, 2007

(O AMOR)


puxam fumo nos cachimbos da morte, sentimentos; preparam refeições insonsas as receptoras e dadoras de sentimentos. eles puxando fumo e elas soçobrando no fogão aceso. um pornográfico pântano de qualidades, matadouro de ambições. os restos ficam no prato, junto com beatas, sucedem-se injúrias e copos virados.

para a dona de casa, o mundo é misturado por espantalhos perante o assentimento tácito do casamento. os rouxinóis do seu ventre cantam loucamente o inferno. Garrafas de vinho vazias quando ainda não estão prontos para esquecer. no simbolismo do casamento, ergue-se a prisão e o volume estático de fisionomias inchadas, no simbolismo do leito crispam-se fauces e arrependem-se dançarinos nus.

nas barras do tribunal, até ao paraíso dos loucos, os sórdidos casos protagonizam situações de riso.


Thursday, January 11, 2007

o que será que saboreia o suor das noites desorganizadas por garras, as tabelas adulteradas por vigaristas?

rebolas na capoeira dos teus anseios a gostar destas maldições, apagas as tabelas e afeiçoas nelas os mandamentos de demónios.

Ladainha onde se engravatam Adões e Evas a pular como pulgas. gostamos da porcaria e pulamos nela. havendo para trás do empírico da situação o natural do facto. se um texto tem o teu nome pegarias nele para ler estas ofensas? se um corpo tem o teu aspecto víria dançando de robe, ainda meio ensonado?

Estes segredos que se traduzem de pão seco para o qual buscam banha, estes segredos que não o são efectivamente. são lados profanos que se encomendam como figurinos, entra num quarto qualquer de uma casa ao calhas e verás alguém entretido com bonecos de cera de ouvido porque é mais fácil tratar de importâncias mínimas, modelar a partir de manipansos falsos.