Como ficamos presos na pedagogia Liberdade/Rebeldia vs prisão vs desprendermo-nos de nós próprios para nos libertarmos da prisão da herança
Não sinto que a escola tenha tido uma grande evolução, como teve o mundo que nos rodeia, a vida das pessoas mudou, a forma como vivemos o dia a dia mudou drasticamente, mas a instituição – escola - não acompanhou este progresso dos tempos. No meu entender vivemos a tal herança que Attkinson nos fala.
Quem me ensinou a ser professor?
A verdade é que nós aprendemos com a escola que frequentamos e os nossos professores também assim o fizeram. Assim esta herança tem perdurado ao longo de décadas. Demorámos cerca de 20 anos a formarmo-nos como docentes e vamos imitar quem nos ensinou. No meu entender urge uma reflexão e um corte radical com esta herança. Tenho sentido que tanto escola, professores e encarregados de educação, mesmo com acesso a informação de novas técnicas pedagógicas têm receio de uma escola nova, uma escola diferente da nossa, uma escola em que o estudante, é parte integrante das opções de ensino.
É infeliz a forma como uma criança entra livre numa escola e começa de imediato um processo de castramento. As crianças desde que nascem observam o mundo, aprendem a conhecer, aprendem o que lhes interessa e no momento exato. Usam todos os sentidos para aprender, são curiosos por natureza, necessitam de respostas, mas também têm soluções. Aprendem e socializam a brincar. São artistas sem bloqueios. Interpretam qualquer papel sem pensar tanto como um adulto.
Então o que está errado com o sistema atual de educação em que uma criança é lançada neste túnel de obrigações de aprendizagem e onde a prendemos numa cadeira durante quase 20 anos? Onde fabricamos “atletas” de altas competências e de avaliações constantes, preparados para serem empreendedores e inovadores nos seus postos de trabalho.
Algumas destas crianças que agora são ou serão professores vivem constantemente ameaçados com programas elaborados por académicos e políticas educacionais, que nem sempre são possíveis de alcançar ou são desadequadas para o meio em que se querem inserir. Atormentados por avaliações de docente, avaliações institucionais, rankings nacionais, provas de aferição, provas globais, turmas excessivamente grandes, economias desadequadas, cortes abruptos, cargas horárias desadequadas, encarregados de educação que querem super filhos e os melhores da turma, entre muitos outros fatores.
Como a evolução do mercado nos moldou os gostos, como tudo o que consumimos é no momento padronizado, por exemplo, não haver fruta diferente e a maioria vir dentro de embalagens e de preferência cortada e pronta a comer. Os professores são o exemplo desse mercado, cada vez mais é difícil encontrar um professor que seja um pouco diferente.
Urge neste momento uma rotura com a atual instituição escola, que deve procurar novas formas de pensar com e nos estudantes. O processo de educação tem de ser essa viagem de aventura e desobediência inventiva para reconceber modos estabelecidos e herdados, potencializando assim o estudante.
Porto, 4 de outubro de 19
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